my good opinion once lost is lost forever #2
Agosto 15, 2008
Afinal o computador só precisava de festinhas. É como a dona. Precisa de muita paciência quando arranca (ler-se, de manhã) e muitos cuidados e atenção ao longo do dia – e paciência, também, que lá feitio difícil tenho eu.
Ora bem, os últimos dez dias foram agitados q.b. Armei-me de armas e bagagens para Inglaterra, mas não fui de maneira qualquer, não senhor. Fui de autocarro. Três dias de viagem para lá, três dias de viagem para cá. Pondo a parte do cansaço e das dores nas nádegas de parte, valeu a pena. Fora Inglaterra, conheci, embora por alto, Burgos e San Sebastian, das quais gostei bastante. A catedral de Burgos põe qualquer igreja gótica que conheça a um canto (excepto talvez a Sainte-Chapelle, mas essa, embora singela, ganha tudo pela luz) e San Sebastian tem muita, muita vida. E hotéis com espanhóis que levam o rádio para a sala de estar e armam o seu próprio baile privado, com direito a La Camisa Negra e a clássica Macarena. Foleiro quanto baste, mas quem dera ao nosso povo, no geral, ter 0,5% do espírito para a festa que eles têm. É tudo muito “agora não me apetece”. Quanto a Inglaterra, muito mau tempo, restaurantes onde passa Bright Eyes, lojas onde passa Rufus Wainwright, Cambridge, Oxford (completa devoção à Blackwell), Richmond e Kew. Mais não interessa. Talvez ponha aqui algumas fotografias, as quais ainda nem sequer passei para o computador, portanto essa possibilidade é muito, muito, mas mesmo muito remota.
Gosto muito de usar a frase que serve de título a este post, talvez porque seja das que melhor ilustram um certo aspecto do meu carácter. Que quando desisto duma pessoa, desisto mesmo. Chega a um ponto em que não dá mais, e que se falo mal e digo isto e aquilo, é porque quero mesmo falar mal e dizer isto e aquilo e não começar com abracinhos e coisinhas quando a pessoa em questão passa. Não gosto, não gosto, ponto. Nunca mudei de opinião sobre ninguém porque, infelizmente - e começo a acreditar que tenho mesmo um dom para isto – nunca falhei uma primeira impressão. Talvez por isso me seja, ao mesmo tempo, tão difícil cortar laços com alguém. Que continue a insistir, mesmo que a batalha já esteja perdida e que a pessoa não valha a pena. Porque sei que quando chegar àquele ponto, já não há nada a fazer. E se há tipo de pessoa que não consigo aturar, nem um pouco, é a que fala mal e diz isto e aquilo porque os outros também o fazem, mas que pela frente são todos beijinhos e abraços. É uma coisa muito adolescente de se dizer, é verdade, mas tenho vindo a constatar que… bem, que talvez não seja tão adolescente quanto isso. Começo a ver pessoas trinta anos mais velhas que eu a fazer precisamente o mesmo, e revolta-me. Revolta-me muito. Quando me recusei a socializar com a grande maioria das pessoas do curso no Porto, tinha as minhas razões. E quando me deixei iludir e levei um estalo de realidade, vi que tinha mesmo razão ao início e que tinha sido parva. Consigo dizer na cara “não, não faço quaisquer intenções de me dar contigo porque não gosto de ti.”, até porque já o fiz. Numa igreja, ainda por cima. Por isso faz-me mesmo muita confusão como é que alguém se consegue enganar a si própria e aos outros quando diz “não quero saber mais, fartei-me, ele faz o que quer e eu não dou satisfações a ninguém” e no dia seguinte faz uma coisa totalmente diferente. E magoa-me, quando é uma pessoa particularmente próxima de mim. Porque sempre achei que quando se diz, faz-se. Eu nunca, nunca volto atrás quando decido o que pensar de alguém. Quando alguém perde a minha consideração, perde-a mesmo. E não adianta.
Adiante o desabafo, as próximas férias são em Setembro com o cara-metade. Onde, não sei. Mas também não interessa muito.
Book update will follow shortly.

Agosto 16, 2008 at 2:05 am
cara-metade faz lembrar o harvey two-face :x